sexta-feira, 22 de outubro de 2010

conversas


Gárgulas são estátuas, são monstros, são vilões. São de pedras, são protetores, são simbologia.
Gárgulas possuem fisionomias, são tristes, furiosas, raivosas, risonhas, alegres. Gárgulas são seres. Afugentam agouros, assustam pessoas. Tão expressivas, fortes, frágeis, vibrantes, tatáveis.
Eu sempre gostei de gárgulas, desde pequena, quando fiquei ainda mais fascinada com uma lenda grotesca.
Certo dia uma certa amiga me perguntou porque disse que meus textos são gárgulas, possivelmente porque são bruscos, brutos e até feios as vezes, mas escondem muito mais do que aparentam ser.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010

cérebro gritante


Saiu de sua casa logo depois de um rápido banho quente- como se isso fosse possível- e de ter vestido suas roupas apressada.

Entrou no seu carro, que ainda tinha cheiro de novo, e ligou-o com a chave. Ficou ouvindo o barulho do motor anestesiar seus ouvidos daquela manhã entorpecida de névoa.

Olhou para o banco traseiro, conferindo pastas,maletas e bolsas que possivelmente deveriam estar ali.

Ela gargalhou, ou bufou. Disse entre dentes que seria terível aquele dia e então gargalhou ou bufou novamente.

Dirigiu pela estrada até a primeira aveniada com o som das rodas passando pelo asfalto úmido,molhado,frio daquela manhã meio chuvosa.

Seguiu dobrando por mais algumas ruas até o seu trabalho enfim. Olhou para o porteiro e o cumprimentou gentilmente. "Como vai a Sra.?" "Dia frio não? Deu na previsão que o sol pode abrir" Era o que aquele velho homem falava. Ele, deveria estar ali desde bem cedo, para recepcionar a entrada daqueles inúmeros carros pretos e prata.

Teu carro era de cor vibrante.

Já na tua vaga diária, com seu carro morto, baixou a cabeça no volante e murmurou alguns palavrões. Respirou fundo.

Olhou o relógio. 5 minutos para a hora prevista. Saiu do carro e de longe se lembro de fecha-lo, mas era fácil, apertou o botão sem mesmo precisar se aproximar.

Pegou o elevador panorâmico, vendo as pessoas diminuirem a cada um dos 30 e poucos andares.

Olhou para aquela sala de vidro fume. Respirou fundo. Sabia que por tras de toda aquela "cabine anti som" haveria muito barulho.

Uma reclamação. Seguida por outra, outra e mais outra. Quem sabe mais algumas muitas outras. Se ao menos ouvesse motivo. Ah, sim, havia, o seu chefe era descompensado demais.
Pegou suas tralhas. Olhou para alguns projetos que estavam em sua pasta, e os deixou sobre a mesa.
Levantou-se, quase sem ser notada, pois o aquele seu chefe estava ocupado tentando parecer superior.
Se virou. Toda aquela barulheira fechada, na cabine. Aquela barulheira e todo o seu atordoamento. E, durante todo o percurso de volta - o mesmo da ida - se viu leve.
Olhou para o relógio. Que horas eram aquelas para qualquer pessoa acordar? Não era hora de pessoas trabalharem, deve ser por isso que achara teu dia tão frio.
Voltou a dormir, no aconchego quente da cama.
Teu telefone toca. Ela abre as cortinas, sorrindo, pois ainda nem é hora do café, mas ela vai no aeroporto. Ela não precisa se ocupar no computador de madrugada, nem gastar teus míseros créditos.
Estava um sol lindo.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

to drink, drunk

a gente nunca cansa de beber, só de ficar de porre.


- uma bebida ou um amor?

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Um sonho de uma noite de verão

"Há quem diga que todas as noites são de sonhos.

Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância.

O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado"

William S.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

lugar dos ingênuos


Ela era só mais uma das pessoas que saiam de suas casas e atravessavam aquela avenida tumultuada daquela cidade turbulenta.
Era só uma das muitas pessoas que ficou com preguiça de ouvir a discução dos vizinhos suburbanos daquele bairro com pouca cara de subúrbio. Olhou para sua janela procurando uma fuga do 5° andar do seu prédio. A televisão ligou sozinha, embora tenha sido o gato que sentou em cima de seu controle remoto real. Voltou-se novamente para a janela, e sentiu-se idiota ao notar que havia esquecido daquela escada de "emergência".
Olhou para os lados como se estivesse aprontando e pulou sua janela.
Desceu sem se sentir notada pelas pessoas que transitavam na calçada abaixo de seus pés. Muitas carregando jornais, se olhando no espelho, carregando seu café matinal - aquele tomariam apenas quando chegassem a seus trabalhos.
Pulou ao fim da escada, ainda que isso resultasse em um certo turbilhão de problemas em seu manequim.
Ela sabia que ninguém falaria com ela naquela avenida tumultuada. Não pelo fato de ser seu primeiro ano morando em outro lugar-não era-, muito menos porque não tinha amigos - ah, sim, ela tinha - mas porque ela sabia que estávam todos muito ocupados e despreocupados com o que ela poderia estar querendo fazer ali.
Esperou o sinal da rua barulhenta fechar e atravessou até o outro lado da rua pela faixa extensa de pedestres enquanto colocava seus fones e ativava o modo aleátorio de seu celular. Sabia que não se enjoaria tão cedo daquelas músicas que pusera ontem enquanto comia sua pizza do disk entrega, não havia mais de três ou duas músicas que fossem realmente parecidas.
Roubou uma flor qualquer da floricultura do sr.alguma coisa e a segurou como se fosse um presente.
Ela desceu a rua, mais uma vez, assim como ontem, e os próximos três dias semanais do qual ela teria aula na faculdade.
Olhou para o Campus sentindo repulsa, faltavam alguns dias para completar o seu curso. Imaginava a festa prometida por alguns de seus amigos/colegas/conhecidos para a semana seguinte.
Ela fez algumas das provas restantes, pegou alguns resultados, pegou o metro e voltou para a casa.
A televisão ainda estava ligada, ou teria sido ligada novamente por aquele gato bandido?
Ela ligou seu computador, pegou seu telefone e pensou em que número discar, ela estava com preguiça de fazer a comida mais um dia. " Disk pizza não " era o que ela deveria estar pensando. Comida chinesa talvez, mas logo assim que fez seu pedido, ligou seu som ao máximo, tocando as mesmas músicas do celular e do mp3.
Ela poderia passar as horas do seu dia, narrando compulsivamente toda a sua rotina cansativa mas ela já estava de saco cheio.
Entrou na sua caixa de email antes mesmo da mensagem esperada chegar.
E depois mesmo da comida ter acabado, ela se ocupava entretendo os dedos no teclado, digitando uma conversa, rindo,mexendo os pés que não tocavam o chão da cadeira - era alta demais, ou seria a sua baixa estatura? - fazendo com que o dia seguinte fosse um tédio de verdade, pois ela passaria a madrugada inteira acordada.

domingo, 29 de agosto de 2010

Instantes

Agora é uma hora que todo mundo deveria estar dormindo, debaixo do cobertor, ou até cobrindo a cabeça com um travesseiro para abafar os burburinhos da vida noturna.

Agora é uma boa hora, pois não fico mais lembrando de rancores nem pensando no oque eu faria com você caso fosse um joão-bobo, ou nas suas estratégias mirabolantes, dignas de sua sagacidade. É uma boa hora pois dá pra voltar a dormir e não cair de novo naquele sonho bobo.